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Quarta-feira, Março 28, 2012

O Elefante cor-de-rosa


A história desenrola-se à volta de um pequeno elefante cor-de-rosa, e começa com "era uma vez" como convém a todas as histórias...

O elefante era cor-de-rosa e toda a linguagem semiótica do texto e da imagem giram à volta desta cor dos mundos encantados, dos mundos "cor-de-rosa", onde o elefantezinho vivia a sua vida que era também cor-de-rosa, "entre pássaros azuis e manhãs de cristal...(...)". As próprias páginas rosa e largas do texto abrem o mundo à imaginação pictórica, onde cada um poderia pintar espacialmente esse mundo, como muito bem entendesse.

Era um mundo de danças e sem sofrimento, onde o tempo não podia medir-se e onde as flores (...) pareciam rir e os pássaros prolongavam, no seu canto, o eco de tanta felicidade". Ah, as flores, essas eram brancas, simbolicamente puras e ingénuas, como era todo aquele mundo de ilusão subtil.

Contudo, como na vida real, estes mundos de felicidade permanente nunca existem, tal como não existem elefantes cor-de-rosa ... Assim, o elefantezinho tem que dar simbolicamente um salto para a frente, para o desconhecido, e parte na cauda de um planeta à exploração do espaço.

Onde poderá viver? O que poderá fazer? O mundo como ele conhecia morreu, ele estava sozinho! Restava-lhe a nossa TERRA, a nossa realidade vulgar, onde os elefantes são presos "(...) dentro de jaulas, que são uma espécie de gaiolas".

A fuga à realidade parece impossível no mundo empírico-histórico factual mas, até nesse, a mensagem de esperança vem daqueles cuja aceitação da alteridade, do outro, é mais fácil de ser conseguida.

As crianças, com a sua inocência e fantasia, aceitam até a mais inverosímil cor do pequeno elefante e é lá, na sua imaginação, que ele escolhe viver para sempre!

Quinta-feira, Março 22, 2012

A Odisseia de Edward Tulane


Era uma vez um coelho de porcelana chamado Edward Tulane. O coelho vivia feliz com a sua dona, Abilene, uma menina que o adorava mais do que tudo! Mas um dia, Edward perde-se numa viagem interminável, mudando de lugares, numa impermanência extraordinária que o leva a ser recriado constantemente pela mão dos donos que sucessivamente se apoderam do seu corpo-boneco-objeto mas também muitas vezes boneco-amor.

Edward parece simbolizar o nascimento e a morte ou antes o renascer de uma nova vida a cada metamorfose a que é obrigado a passar: de Edward, a Susana, de Malone a Jangles, numa cadeia interminável de mudanças sobretudo externas, físicas, que contudo nunca machucam a personalidade e a sua substância interna, que se foi habituando aos trambolhões da vida sem soltar rugidos de fúria mas sim lamentos resignados feitos de calma e inocência, como convém a um coelho.

Contudo, sendo ele próprio um amuleto acreditado para trazer boa sorte a todos os que o possuíam “Edward era o único que não se entusiasmava com isso. Orgulhava-se de não ter ilusões e de não permitir que o seu coração batesse depressa. Conservava a dignidade de manter o seu coração parado, em silencio, bem fechado.Já estou farto de me iludir, (…).”

No entanto, como também na vida, temos sempre alguém que nos chama a atenção, desviando o nosso enfoque para outras emoções bem mais positivas que nos fazem descentrar das amarguras quotidianas e nos levam a olhar as estrelas:

“- Tens de ter expectativas, nunca deves perder o ânimo, a esperança. E, especialmente, deves questionar-te sobre quem irá amar-te e quem irás amar em seguida.
- Para mim chega de ser amado – amar é muito doloroso.
- Não digas disparates. Onde está a tua coragem?”

Título: A Odisseia de Edward Tulane
Autor: kate Di Camillo
Ilustrador: Bagram Ibatulline
Editora: Gailivro

Quarta-feira, Março 21, 2012

Prémio Hans Christian Andersen

Prémio Hans Christian Andersen para María Teresa Andruetto e Peter SísArtigo

A escritora argentina María Teresa Andruetto e o ilustrador checo Peter Sís venceram hoje o prémio internacional Hans Christian Andersen, considerado o Nobel na área da literatura infanto-juvenil.
Os vencedores foram anunciados na Feira do Livro Infantil de Bolonha, que começou hoje em Itália e que tem Portugal como país convidado.
O prestigiado prémio foi dado à escritora argentina María Teresa Andruetto, como reconhecimento de uma marca poética e sensível da sua obra, na abordagem de temas variados como as migrações, o amor, a pobreza e a violência.
Peter Sís foi premiado na área da ilustração pela diversidade de técnicas utilizadas e pela combinação de elementos do universo fantástico com apontamentos reais, disse o júri.

Terça-feira, Março 20, 2012

Dia da árvore

A literatura de receção infantil e juvenil possui inúmeros livros onde as árvores têm um papel principal e são arquétipos universais de mitos, simbologias e seres que encarnam as forças da natureza, e os aspectos gerais da condição humana e do imaginário colectivo.

Destaco aqui alguns desses livros:

A Árvore de Sophia Andresen
Beatriz e o Plátano de Ilse Losa
A cerejeira da Lua de António Torrado

Homenagem a Luísa Dacosta em Vila Real

No Dia das Letras Transmontanas e Alto-Durienses, a 16 de Março, o Grémio Literário Vila-Realense homenageou a escritora Luísa Dacosta – que se encontrará presente –, com o seguinte programa:
17h30 – Descerramento de uma placa na Rua Cândido dos Reis.
21h00 – Palestra pela Dr.ª Maria Hercília Agarez, no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Júlio Teixeira.

Estaremos disponíveis com a obra completa que se encontra neste momento no mercado editorial:
- “Natal Com Aleluia”;
- “Na Água do Tempo” (Diário I) e “Um Olhar Naufragado” (Diário II);
- caixa: “A Maresia e o Sargaço dos Dias”, “Natal Com Aleluia” e “De Mãos Dadas Estrada Fora...” + “Luísa Dacosta – Entre Sílabas de Luz” (Pequena Fotobiografia) por Laura Castro;
- caixa: “A-Ver-O-Mar” com desenhos de Armando Alves, “Morrer A Ocidente” com desenhos de Jorge Pinheiro + “Eu Fui Ao Mar Às Laranjas” um ensaio sobre Luísa Dacosta por Maria Alzira Seixo;

- obras completas de Luísa Dacosta para a infância: “A Rapariga e o Sonho”, “Robertices”, “A Menina Coração de Pássaro”, “O Príncipe Que Guardava Ovelhas”, “Sonhos na Palma da Mão”, “O Perfume do Sonho, na Tarde”, “O Elefante Cor-de-Rosa”, “O Rapaz Que Sabia Acordar a Primavera”, “História Com Recadinho” e “Lá Vai Uma... Lá Vão Duas”.

Sábado, Abril 10, 2010

A Maior Flor do Mundo Revisitada



Actividades de Pós-Leitura da história "A Maior Flor do Mundo " de Saramago.

Alunos do 4º ano do Agrupamento Diogo Cão, Vila Real.

Quinta-feira, Abril 08, 2010

Biblioteca de Livros Fantásticos

No próximo dia 23 de Abril, sexta-feira, pelas 18h30, a Biblioteca Municipal de Pombal inaugura a exposição intitulada «Biblioteca de Livros Fantásticos», de Carmen Domech.

Os livros desta biblioteca enlouqueceram… A todos ocorrem coisas estranhas e misteriosas. Cada um conta uma história, como todos os livros do mundo, mas estes livros decidiram transmiti-la de uma forma diferente. Converteu-se em barco o livro que recolhe os relatos do mar, cresceu-lhe uma macieira que conta como nasceram as palavras. Durante a sua viagem, o pequeno livro aventureiro ficou preso numa teia de aranha... Livro após livro, mostramos as histórias que compõem esta Biblioteca de Livros Fantásticos.

A exposição ficará patente ao público até dia 23 de Maio de 2010.
Uma organização da Biblioteca Municipal de Pombal e do Município de Pombal, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Mais informações em http://caminhosdeleiturapombal.blogspot.com/

Kitty Crowther na Ilustrarte


O original da ilustração da vencedora do Prémio Astrid Lindgren, Kitty Crowther, vai estar, ao vivo, na Ilustrarte, no Museu da Electricidade em Lisboa. A Bienal Internacional de Ilustração para a Infância termina a 18 de Abril, pelo que teremos muito tempo para visitar. Não falte!

Exposição Ilustrarte


Beatriz e o Plátano

Esta é uma história que se apresenta como quase um clássico da literatura infantil portuguesa.
Desenrola-se num tempo indefinido e por isso muito actual e numa terra que poderia ser a nossa...a nossa rua ou o nosso bairro...
Há uma menina que também quer fazer "uma coisa maior do que o seu tamanho"...impedir que a árvore seja cortada pois não ficava bem em frente ao novo edifício dos correios...
Mas para Beatriz " ...aquela árvore fazia parte da sua vida , tal como um bom amigo" e seria impensável cortá-la...
Esta convicção leva Beatriz a lutar pelo que quer e acredita ...e consegue ....face à persistência e sacrifício, dormindo mesmo junto à sua árvore querida!

Quarta-feira, Abril 07, 2010

Leila


Esta história, de Sue Alexanfer, é um enredo de conflito entre uma menina de 10 anos, de natureza rebelde e um pouco selvagem e o seu pai, severo, como convém a um xeque das estepes do deserto árabe.
Contudo, esta é também a história de como se ultrapassam lembranças de entes queridos que já partiram: uns pelo esquecimento absoluto e outros pelas lembranças vividas e revividas...
O pai, Tarik, impõe um silêncio forçado e perturbador à volta da morte do filho, ameaçando de morte todo aquele que ouse evocá-lo. Leila, pelo contrário, como tudo à sua volta lhe lembra o ente querido, inicia um conflito interior que passa pela necessidade de contar as histórias do irmão a toda a gente, para que dele não se esqueçam, e a necessidade de obedecer ao pai, chefe da tribo e senhor de todos os desejos.
O tema da morte não é recorrente na abordagem dos autores de Literatura Infantil e Juvenil pelo que este autor e o seu ilustrador,Georges Lemoines, utilizaram imagens e frases tipo flash que no entanto conseguem produzir sentimentos fortes e arrebatadores lembrando-nos que, mais uma vez, é pela mão e da voz das crianças que devemos pautar as nossas condutas como adultos.

contasinfantis

Na minha terra conta-se que, no inverno, à lareira, quando ainda não havia as modernices de hoje, pais e avós juntavam-se para contar histórias. As mães diziam: Venham meninos vamos às contas! Claro que não eram só os meninos que se juntavam. Era a família inteira e mais os vizinhos e até os animais que lá por casa passeavam se aninhavam para saborear mais uma noite de histórias, contos, ditos e mexericos...